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O custo de ter princípios

  • comunicacaoapolina
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Ter convicções é fácil quando não custa nada. A questão é o que você faz quando começa a custar


Por Claudio Apolinario


Imagem criada por meio de Inteligência Artificial
Imagem criada por meio de Inteligência Artificial

Em 1951, o psicólogo Solomon Asch reuniu grupos de estudantes para um teste simples de percepção visual. Mostrou uma linha de referência e mais três linhas de tamanhos diferentes, pedindo que identificassem qual era igual à de referência. A resposta correta era óbvia. Mas quase todos no grupo eram atores instruídos a dar a resposta errada.


Apenas um participante não sabia disso.


O resultado perturbou o próprio Asch.


Cerca de 75% dos participantes testados cederam à pressão do grupo e deram respostas incorretas. Não porque fossem ignorantes. Não porque a resposta fosse difícil. Mas ao ver que pessoas ao redor afirmaram com convicção algo que claramente não era verdade, eles preferiram concordar.


Apenas um em cada quatro manteve a posição correta até o fim.


Esse experimento não é sobre linhas numa folha. É sobre o que acontece dentro de qualquer estrutura quando a maioria pressiona. É sobre o que um sistema faz com quem não se posiciona de forma firme.


E se funciona assim numa pesquisa, funciona também nas conversas de família, nas rodas de amigos e dentro das casas legislativas. Esse sistema revela algo importante: a pressão para ceder não é só cultural. É estrutural.


Ter princípios soa bonito na teoria. Na prática, tem um preço.


Ter princípios significa não aceitar esse silêncio. Significa estar disposto a ser o único na sala que diz não quando todos estão dizendo sim. Significa não esconder sua posição porque o grupo aumentou o tom de voz.


Asch descobriu algo ainda mais revelador no mesmo experimento. Ele testou o que acontecia quando um dos atores discordava do restante do grupo. Quase todo mundo parava de errar. Um único posicionamento mudava tudo.


Você já foi essa pessoa? Na conversa, na posição pública, no voto? Já sustentou o que acreditava mesmo sem saber se alguém te seguiria?


Não é preciso uma maioria. Não é preciso um discurso. Basta uma pessoa que se recuse a confirmar o erro. Alguém que diga: não, isso não está certo.


Na prática, o custo é real. Minimizá-lo é ingenuidade. Romantizá-lo é desonestidade.


Homens que se recusaram a participar de esquemas foram silenciados. Homens que disseram a verdade em ambientes onde a mentira era conveniente perderam espaço.


Quem mantém limites quando a cultura diz para ceder é chamado de rígido e antiquado.


Quem discorda publicamente da narrativa dominante é rotulado antes de ser ouvido.


O que a maturidade exige é se posicionar com transparência e convicção. Saber de antemão que princípios têm preço, e escolher pagá-lo, é questão de caráter.


A cada vez que você concorda com algo que sabe estar errado, algo em você se desgasta. A integridade se constrói em silêncio, por repetição, nas pequenas decisões que ninguém vê. E se destrói da mesma forma.


Um eleitor que vota pelo que é conveniente, não pelo que é certo, abre mão do único poder real que tem. Um homem que cede por conveniência não perde apenas credibilidade externa. Perde o fio que conecta o que pensa ao que faz. Com o tempo, nem sabe mais onde está a diferença.


Esse homem não tem convicção. Tem silêncio comprado.


Asch entrevistou os participantes depois do experimento. A maioria dos que cederam sabia que a resposta estava errada. Confirmavam aos pesquisadores, em particular, o que recusaram dizer em público. Eles sabiam. E ficaram quietos.


Esse é o custo oculto do conformismo: você carrega o peso do que sabe, mas não fala.


Asch foi além. Fez uma versão da pesquisa em que os participantes respondiam por escrito, sem que o grupo ouvisse. Menos de 1% errou o mesmo teste. Eles sabiam a resposta certa o tempo todo. O que mudava era o custo social de discordar em voz alta.


A solução não está em encontrar alguém que o sistema não consiga pressionar. Está em ser o tipo de eleitor que se posiciona. Quando o eleitor tem princípios, o representante pensa duas vezes.


Princípios não são o que você pensa quando está sozinho. São o que você sustenta quando o grupo está olhando.


Essa é a prova real de caráter.


| Claudio Apolinario é articulista e analista político.



1 comentário


jeovan martins
jeovan martins
há um dia

De fato a conformidade social é um dos maiores problemas o indivíduo mesmo que tenha um bom caráter nesse momento falha e essa falha o corrompe aos poucos. Por isso é fundamental posicionamento firme que valide seu caráter. Andar na contra mão da maioria não é fácil mas necessário onde a conveniência tem destruído muitas pessoas!

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