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A Crise da Paternidade. Isso Não é Acidente.

  • Foto do escritor: Claudio Apolinario
    Claudio Apolinario
  • há 8 minutos
  • 3 min de leitura

Por que o desaparecimento do homem é o epicentro silencioso da desestrutura social


Por Claudio Apolinario


Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Mais de 5 milhões de crianças brasileiras não têm sequer o nome do pai na certidão de nascimento e 7,8 milhões de mulheres criam filhos sozinhas. Não é descuido burocrático. É o retrato mais cru de uma ausência que o Brasil aprendeu a normalizar — e que está custando mais do que qualquer escândalo em Brasília.


Nos Estados Unidos — o país mais rico do mundo — 23% das crianças vivem sem pai ou mãe presente, segundo o Pew Research Center. O maior índice do planeta. Essa ausência não é uma crise brasileira. É uma crise civilizatória. E o Ocidente está perdendo essa batalha.


Não é abandono silencioso — é abandono documentado, institucionalizado, tolerado. Uma revisão sistemática publicada no periódico científico Psychology, Crime & Law, em 2020, analisou 48 estudos e confirmou: crescer em família com apenas um dos pais aumenta o risco de envolvimento com crime na adolescência. O efeito é mais pronunciado entre meninos e em bairros violentos — exatamente o perfil da maioria das periferias brasileiras.


O dado não surpreende quem trabalha com formação de caráter. Surpreende quem insiste em tratar a ausência paterna como dado neutro — como se uma criança criada sem pai produzisse os mesmos resultados sociais que uma criança criada com estrutura afetiva e de autoridade.


A psicologia do desenvolvimento e as estatísticas de violência dizem o contrário. O psicólogo clínico Geison Isidro é direto: "A falta de um pai vai gerar problemas na estrutura psicológica e emocional. Há tendência maior à transgressão, insegurança diante da vida, aumento de agressividade — especialmente em meninos que, com muito medo, usam a agressividade como compensação à insegurança."


Mas há uma dimensão desse problema que raramente aparece no debate público. O homem não desapareceu apenas porque quis. Ele foi sistematicamente desconstruído como figura moral.


Durante décadas, a narrativa cultural dominante tratou a masculinidade como problema a ser corrigido — não como força a ser direcionada. Autoridade paterna virou sinônimo de autoritarismo. Liderança masculina virou suspeita de dominação. O resultado foi previsível: uma geração de homens forçada a desaparecer. Não por fraqueza biológica, mas porque esvaziaram o significado de ser pai antes que ele pudesse ser exercido.


Um homem ensinado sistematicamente a pedir desculpas por existir não desenvolve coragem. Desenvolve vergonha. E homens com vergonha não lideram famílias. Fogem delas.


Há ainda uma terceira causa — a mais silenciosa de todas. O homem não apenas foi desconstruído culturalmente. Ele foi substituído. Não por algo melhor, mas por um Estado que passou a se apresentar como provedor alternativo — não de oportunidades, mas de dependência.


Quando o Estado assume o papel que o pai deveria ocupar, ele não liberta a família. Ele a captura. Cria vínculos de lealdade com quem distribui benefícios, não com quem exige responsabilidade. Engenharia social aplicada à célula mais básica da civilização.


Convém dizer com clareza o que o debate público evita: isso não é julgamento sobre mães solo — que carregam um fardo desproporcional com dignidade extraordinária. O problema não começa na mãe solo. Começa no homem que desapareceu antes dela precisar ser solo. Começa na cultura que ensinou esse homem a fugir em vez de ficar. Começa no sistema que recompensou a fuga e puniu a presença.


A proporção de famílias chefiadas por mulheres sem cônjuge e com filhos cresceu 16,38% de 2000 para 2022 — e a aceleração desse índice nos últimos anos indica que a tendência não está se revertendo. Está se aprofundando.


Uma meta-análise publicada na revista Urban Education em 2014, que reuniu dezenas de estudos, confirmou: o envolvimento do pai está diretamente relacionado ao desempenho acadêmico dos filhos — e sua ausência, à maior probabilidade de evasão escolar e problemas disciplinares. Isso não é ideologia. São dados.


A restauração do Brasil não começa em Brasília. Começa no homem que decide ficar. Que assume responsabilidade. Que lidera com serviço, não com domínio. Que forma filhos com identidade, disciplina e senso de limite — porque nenhuma política pública, programa social ou decreto legislativo substitui o que um pai presente constrói no cotidiano silencioso da vida doméstica.


A crise institucional que assistimos tem raízes mais profundas do que partidos, governos ou escândalos financeiros. Ela tem raízes na família. E a família tem raízes no homem.


Uma nação de homens que fugiram do limite não produz filhos livres. Produz órfãos com pai vivo.


| Claudio Apolinario é articulista e analista político.

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